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O «São» Judas Iscariotes de Castelões de Cepeda

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Judas Iscariotes, o apóstolo que, segundo o Novo Testamento, entregou e traiu Jesus Cristo, não tem, precisamente por essa razão, o estatuto de «santo» no rol hagiológico da Igreja Católica. Daí que a referência irónica do título tenha aqui apenas um único propósito: chamar a atenção para a singularidade de um dos vitrais da igreja paroquial de Castelões de Cepeda, precisamente aquele que representa a personagem «maldita» da Última Ceia . Nessa composição figurativa, Judas aparece com a sua «inseparável» bolsa dos dinheiros, com a veste manchada, mas também com a auréola, ou halo, a envolver-lhe a cabeça, sendo este último elemento, de facto, aquele que mais pode destoar ou surpreender o visitante. Como é sabido, ainda que com origens pagãs, ou anteriores ao cristianismo, o aro dourado , também chamado auréola ou halo, transformou-se, entretanto, num «dos símbolos ou atributos gerais da iconografia cristã, com o qual se distinguem as imagens sagradas das profanas» (GEPB, Vol. 2, p.72...

As Visitações em Castelões de Cepeda (IX)

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No dia 5 de Julho de 1786, desloca-se a Castelões de Cepeda o Dr. José Barbosa de Albuquerque, desembargador da Mesa Episcopal. Do relatório respectivo citamos o seguinte: «Examinei ocularmente o tecto da igreja e seu coro, e tudo achei em grande necessidade de conserto, ou de se fazer de novo, pelo que mando, ou se conserte tudo em termos ou se faça de novo para o que, atendendo à pobreza da freguesia, lhe concedo o tempo de um ano; pena de que se não fazendo passado ele se proceder na forma de direito a que isso dará o R.do Pároco parte a juízo no termo de quinze dias.» Sobre a capela de S. José ficou escrito: «Fui informado que na Capela de S. José se pôs uma caixa para esmolas sem licença do R.do Pároco, nem querendo-lhe entregar a chave dela, obrando-se nestes termos contra a jurisdição paroquial, pelo que mando, que qualquer pessoa, que tiver a chave da dita caixa a entregue incontinente ao dito R.do Pároco a quem de direito pertence; e negando-lha o mesmo R.do Pároco proceda com...

As Visitações em Castelões de Cepeda (VIII)

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A 11 de Julho de 1769, a examinação pastoral a Castelões de Cepeda é feita pelo Dr. Alexandre José Vieira, abade de S. Miguel do Mato. Excluindo as determinações gerais dirigidas aos eclesiásticos, destacamos de particular os seguintes capítulos: «A custódia da igreja e vasos sagrados se guardem por pessoas não só de inteira confidência e puridade, mas que na reputação comum sejam tidas e havidas por legítimos Cristãos Velhos; cujas qualidades devem ter também os sacristães das igrejas e consentindo-se o contrário se lhe estranhará; como também que se repiquem os sinos aos visitadores das fábricas das comendas ou se lhes satisfaça nas igrejas as distinções de prelados, o que inteiramente se lhe proíbe debaixo de preceito grave.» Uma breve nota sobre esta última indicação: trata-se de uma ordem geral, repetida em várias visitações e extensível a todas as paróquias do bispado. O que daqui emana é que o bispo (ou a regulação canónica que tem de cumprir e fazer cumprir) não admite que seja...

As Visitações em Castelões de Cepeda (VII)

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No dia 12 de Setembro de 1752, a visita pastoral à paróquia de São Salvador de Castelões de Cepeda é feita pelo Dr. Manuel Carlos de Carvalho Vilas-Boas, protonotário apostólico. Os capítulos do relatório respectivo limitam-se a repetir as determinações anteriores, nomeadamente quanto à necessidade de se fazerem conferências da moral para sacerdotes, que as missas sejam à hora da constituição e que haja determinados cuidados no aluguer de casas a pessoas vindas de fora da freguesia. Dois anos depois, a 22 de Maio, o exame foi conduzido pelo Dr. Manuel Álvares Ferreira, protonotário apostólico e juiz sinodal desembargador da Mesa Episcopal. Do documento resultante se extrai o seguinte: «Depois de reverenciar profundamente o santíssimo sacramento examinei a decência do sacrário, santos óleos, Pia Baptismal, Altares, Pedras de Ara, imagens, cálices e ornamentos à mesma igreja pertencentes o que tudo se acha sem necessidade de reforma pelo conhecido zelo e cuidado do R.do Pár.º excepto por...

As Visitações em Castelões de Cepeda (VI)

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No dia 11 de Maio de 1733, desloca-se a Castelões de Cepeda o visitador Pedro do Paço, Comissário do Santo Ofício e abade de Santo André de Várzea. E como, segundo o relatório respectivo, nada havia que prover naquela igreja, foi a mesma encerrada sem se extrair do documento qualquer indicação de relevo. O mesmo se pode dizer da visita de 26 de Setembro de 1734, dirigida pelo Dr. João de Faria e Gouveia, abade de Vermoim. Em Junho de 1736, o emissário é o Dr. Bento Lopes de Carvalho, abade de S. Tomé de Covelas. Nos primeiros pontos do relatório, o visitador recomenda ao abade que «não receba noivos alguns sem primeiro os examinar na doutrina cristã (…)». Mais adiante, refere o seguinte: «Mando que as obras da Capela de N.ª Sr.ª da Guia se concluam até fim deste mês, e os que deverem as esmolas para esta obra pagarão dentro em seis dias cada um o que restar (…)». Dois anos depois, a visita é feita pelo Dr. Domingos Ribeiro, protonotário apostólico. O delegado volta a ocupar-se da falta...

As Visitações em Castelões de Cepeda (V)

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No dia 12 de Outubro de 1711, a paróquia de São Salvador de Castelões de Cepeda é visitada pastoralmente pelo Dr. Francisco Xavier Delgado, abade de S. Pedro de Gondalães. Depois de visitar a igreja, altares, demais dependências, tudo encontrando com decência, e depois de recomendar o cumprimento das visitações passadas, o emissário episcopal deixou recomendações aos eclesiásticos sobre o modo de vestir. Nada mais há de particular a extrair deste relatório. No ano seguinte, a 24 de Setembro, o visitador foi António da Costa Falcão, beneficiário reservatário da paróquia de S. Cipriano de Paços de Brandão e abade da Sé do Porto. O relatório repete, no essencial, o conteúdo da visita anterior. No mesmo dia de 1713, a visita é conduzida por Domingos Ribeiro Nunes, cónego prebendado na Sé do Porto. No documento ficaram apenas recomendações gerais e dirigidas a sacerdotes. Tal como os anteriores, o manuscrito da visita de 4 de Outubro de 1714, feita pelo Dr. Dinis da Silva e Faria, cónego da...

As Visitações em Castelões de Cepeda (IV)

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Prosseguimos com o relatório de visitação de Castelões de Cepeda datado de Maio de 1709 e que tem sido, como temos visto, bastante profícuo em informações históricas. As reprimendas aos eclesiásticos são bastante comuns nestes documentos, sobretudo aos minoristas, acusados de desleixos vários. Neste manuscrito, o visitador determina que não se dêem esmolas ao clérigo da freguesia que não assista na íntegra aos ofícios de defuntos, que são, nestes relatórios, particularmente visados. Na sequência dessa nota, o emissário diz também que se lhe constara «que esta igreja ficava muitas vezes com as portas desfechadas e que a ela se tinham feito muitos furtos por causa de alguns clérigos irem dizer missa a ela e não fecharem as portas e também muitos seculares ao abrirem e as não tornarem a fechar». Assim, a autoridade mandava «que nenhuma pessoa desta freguesia assim secular como eclesiástica deixe as portas desfechadas e sendo clérigo assim como a acabar de dizer missa em sua presença as ma...

As Visitações em Castelões de Cepeda (III)

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Outro costume muito antigo da paróquia de Castelões de Cepeda, e descrito com pormenor no relatório de visitação de Maio de 1709, era o bodo aos pobres. Eis os respectivos termos: «Também me constou ser costume antiquíssimo nesta freguesia que todas as pessoas dela que tivessem propriedades de se pagarem aos pobres desta freguesia em cada um ano umas esmolas a que lhe chamam Bodos em a Dominga Quarta da Quaresma, e no da Pascoela à porta do Adro desta igreja, e que de cada fazenda em a dita Dominga Quarta mandasse o possuidor dela uma broa, vinho, peixe ou sardinhas e no dito Domingo da Pascoela mandassem os sobreditos e em lugar de peixe carne os quais Bodos o Procurador desta Igreja os repartisse aos pobres desta freguesia e assim consta dos estatutos da confraria geral no capítulo trinta e seis, e que o dito Procurador desta igreja fizesse rol de cada Dominga dos que faltarem a tão pia e saudável devoção; e que pagasse cada negligente quinhentos réis por cada Bodo a que faltasse que...

As Visitações em Castelões de Cepeda (II)

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A 23 de Setembro de 1705, a paróquia de S. Salvador de Castelões de Cepeda recebe a visita do Dr. João de Almeida Ribeiro, protonotário apostólico e pároco de S. Miguel de Gandra. Depois de visitar e elogiar a igreja, seus objectos e dependências, o emissário episcopal faz constar do relatório uma determinação dirigida às mulheres e que já vimos em visitas anteriores: «Por se evirarem os pecados e ofensas contra Deus Nosso Senhor resultam de as mulheres virem à igreja ou capelas decotadas ou caiadas provocando aos homens o pecarem; portanto mando sob pena de obediência que mulher alguma de qualquer qualidade que seja venha à igreja ou capelas decotada, ou caiada: e o R.do Pároco sob a mesma pena as transgressoras deste capítulo as não consinta na igreja ou capelas, nem lhes administre os sacramentos, nem as admita por madrinhas do baptismo, nem lhes solenize seus matrimónios.» Em seguida, uma nota sobre confrades forasteiros e respectivas obrigações: «Zelou-se-me que muitos irmãos da c...