José Guilherme e a Administração em Paredes: As «Sombras»
Em 2021, a passagem do bicentenário do nascimento de José Guilherme Pacheco potenciou a sua rememoração histórica e biográfica. Como é regra neste tipo de eventos, as comemorações e/ou celebrações encerraram-se em si mesmas, não se aproveitando a ocasião para uma reanálise histórica rigorosa da biografia do visado. Foi por isso sem causar surpresa que superabundaram textos panegíricos e essencialmente celebrativos, ainda que da autoria de académicos da área da História, concebidos de princípio a fim para secundar e reafirmar qualidades e méritos, sendo uns reais e outros, dizemos nós, imaginários. Portanto, o resultado foi o de sempre: a reafirmação furtiva de uma imagem impoluta de José Guilherme, de «regência absoluta» local, despida de roupagens negativas, de oposições e/ou contestação. Na recente reedição fac-similada da Monografia de Paredes, um texto introdutório refere-se à «alma» de Guilherme como repousando no mausoléu ainda «cheia de luz e bondade». Sucede, porém, que, como é...